No Brasil, para você vender um produto para o povão, ele tem que ser barato. Isso não acontece apenas com carros. Já notou que embalagens de bolachas recheadas, doces, e até mesmo papel higiênico vem encolhendo nos últimos anos? Tudo para ficar mais barato, já que o comprador parece que não percebe (ou não quer perceber) o que está levando a menos pelo preço mais em conta, sem ler as letrinhas miúdas.
Para as montadoras brasileiras lançarem modelos mais em conta, recorrem a gerações anteriores de seus populares, um hábito que já virou rotina em qualquer marca. O Palio Fire foi o primeiro modelo a fazer isso, (DENTRE OS QUE SÃO VENDIDOS HOJE EM DIA), dividir espaço entre duas gerações. E se a fórmula deu certo na Fiat, todo mundo passou a copiar.
A revista Auto Esporte foi quem fez a matéria falando dos heróis da resistência, citando que o comprador 100% racional é quem compra esse produto. Bom, pode ser verdade, mas também temos que levar em conta que muitas vezes a pessoa não tem opção. Já vai financiar um carro em trocentos meses, pagando juro altíssimo, então tem que manter a prestação com o valor mais baixo possível.
Eu não sou exatamente a pessoa que gosta de carro novo, tenho na minha garagem um modelo da década de 90, avaliado em cerca de 15.000 reais, com equipamentos hoje só encontrados em modelos de 50.000 pra cima. Gosto de pagar menos IPVA, de não pagar seguro, de ter conforto elevado em um carro barato. Mas também, menos de 1% da população deve ficar em casa o tempo todo, rodando 500 km por mês como eu. E de vez em quando vêm a conta da revisão na oficina, daquelas que doem até no fundo da alma.
Mas, voltando para a situação de 95% das pessoas que tem condição de ter um carro de 25.000 reais no Brasil. É claro que elas irão partir para a opção de comprar um popular zero quilômetro, porque ele não dá manutenção, porque ele tem cheiro de novo, porque ele não faz muito barulho quando se passa nos buracos, e também porque ele é bem econômico.
Os modelos de geração anterior acabam que sendo a única opção para essas pessoas. Se elas querem uma boa relação custo-benefício e não se importam de ter modelos de geração anterior, é mesmo a melhor opção.
Gol G4 - O Gol G4 não tem lá uma política de preços muito forte em relação a geração mais nova. Custa cerca de 2.000 reais a menos, mas é que a Volkswagen tem um argumento de vendas muito forte na versão G4, que é a boa reputação e fama de carro robusto. Muitas pessoas ainda tem dúvidas sobre se a nova geração tem a mesma resistência. Portanto, até mesmo pessoas que teriam condição de comprar o Novo Gol acabam optando pela versão antiga, especialmente compradores que vivem em zona rural e precisam de um carro mais forte.
Peugeot 206 - O Peugeot 206 perdeu o motor 1.0, e mesmo depois da chegada do 207, manteve o preço baixo que já tinha. Isso faz com que ele continue vendendo bem. Ele não tem preço tão em conta quanto os outros citados aqui, com motor 1.0, mas fica em torno de 6.000 reais mais barato que o 207 com o mesmo motor. Vale a pena ou não?
Chevrolet Classic - A alguns anos a Chevrolet notou que ninguém conseguiria vender um sedã tão barato quanto ela consegue vender o Classic. Por isso, foi depenando o modelo aos poucos, mas deixando nele qualidades interessantes, como o bom acabamento para a categoria. Com um porta-malas grande e custando 6.000 reais a menos que um Prisma 1.4 com direção hidráulica, o próximo sedã da marca, não pairam muitas dúvidas na mente dos compradores sobre qual sedã popular comprar.
Renault Clio - Com a chegada do Sandero o Clio ficou com a missão de ser o modelo popular pelado da marca. Com preço 3.000 reais mais barato que a versão mais simples do Sandero, ele é uma ótima opção, por ter qualidades que os outros populares desse nicho não apresentam. O problema é o valor de revenda na hora de passar ele pra frente.
Qual você escolheria dentro desse grupo de heróis da resistência?
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